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Crise é a maior da história do Brasil, diz estudo da Unicamp

Correio Popular | Raquel Valli

O Brasil está atravessando a pior crise econômica da história do País. A análise foi feita este mês tanto pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quanto pelo Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Cecon da Unicamp), que realizou um estudo comparativo com outros momentos agudos da economia nacional e tem a chancela de ao menos 20 nomes de peso do setor.

fullsizerender-2Entretanto, economistas e governo discordam do futuro do Brasil. Enquanto para Meirelles o País já saiu da recessão e caminha rumo ao crescimento, para parte dos economistas da Unicamp a política econômica do governo Temer (PMDB) tem problemas e sacrifica a renda dos brasileiros. “O Brasil errou em 2015, mas, ao invés de reverter o erro, continua errando. Pior, aprofundando-se na estratégia desse erro”, afirma o cientista social pela USP Guilherme Mello, doutor em ciências econômicas pela Unicamp e professor de economia na universidade de Campinas.

O equívoco de 2015 a que o especialista se refere é o choque recessivo tomado pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no segundo mandato do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O conjunto de contenção foi composto por choque fiscal (corte das despesas públicas); choque de preços administrados (aumento dos combustíveis e energia); choque cambial (com desvalorização de 50% da moeda brasileira em relação ao dólar ao longo de 2015); e choque monetário (com o aumento das taxas de juros para operações de crédito).
 “Esse conjunto fez com que a economia desacelerasse de uma maneira muito intensa, derrubando o consumo das famílias, que até 2014 contribuía positivamente com o desenvolvimento. Essa queda passa a ser a principal explicação para a recessão que se observa não somente em 2015, mas em 2016 e até o momento atual. Em 2016, após o impeachment, nós observamos uma mudança na estratégia do governo. Mas, ao invés de focar no ajuste recessivo no curto prazo, se promove um de longo prazo. No entanto, essas reformas não são capazes de promover a retomada do crescimento econômico e muito menos de promover a queda do desemprego, que segue crescendo em taxas aceleradas até esse início de 2017”, acrescenta o pesquisador.
Em outras palavras, o choque de curto prazo promovido por Levi se perpetua agora com o de longo prazo proposto por Meirelles — segundo a análise dos professores da Unicamp. Com menos renda, cai o consumo das famílias, despenca a demanda, as empresas fabricam menos, despedem mais funcionários, e, sem recursos – inclusive pelos juros altos dos créditos bancários – os empresários não investem, perpetuando o ciclo.
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“A austeridade no Brasil não funcionou. Erraram na mão. E se o Brasil continuar cortando gastos será pior. Por isso não há horizonte neste governo, que está cavando a própria cova. Transformaram uma desaceleração em recessão”, afirma o economista Pedro Rossi, professor da universidade campineira, diretor do Cecon e da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP).
Para Rossi, para que o Brasil tenha um crescimento econômico sustentável é preciso investir no País por meio de uma política pública de estímulo, analogicamente como Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945) o fez com o New Deal ao retirar os Estados Unidos da Grande Depressão. É necessário um investimento maciço em obras de infraestrutura, que geram empregos e compras de insumos, girando a indústria; manejo dos bancos públicos, oferecendo crédito a juros baixos e renegociação das dívidas das empresas e das famílias; e estímulo fiscal para políticas sociais, gerando consumo das famílias e demanda para as empresas.