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Componentes Macroeconômicos e Estruturais da Crise Brasileira: o Subdesenvolvimento Revisitado

Pedro Rossi & Guilherme Mello | Brazilian Keynesian Review

Artigo premiado no XXIII Prêmio Brasil de Economia, com o segundo lugar na categoria artigo técnico ou científico

Resumo

O objetivo desse ensaio é elaborar um diagnóstico sobre a desaceleração da economia brasileira a partir dos seus elementos macroeconômicos e estruturais. Argumenta-se que os erros na condução da política econômica, presentes na maioria dos diagnósticos sobre a desaceleração, devem ser considerados no âmbito de condicionantes estruturais que caracterizaram o ciclo de crescimento da economia brasileira nos anos recentes. Esse ciclo amenizou características típicas do subdesenvolvimento apontadas por Furtado: i) ao modernizar os padrões de consumo de uma parcela importante da população; e, ii) ao melhorar qualitativamente o mercado de trabalho, reduzindo o desemprego e a informalidade. No entanto, o modelo de crescimento não logrou: i) modernizar a estrutura produtiva de forma a sustentar as transformações do lado da demanda; e, ii) incluir a mão de obra em setores de maior produtividade. Nesse sentido, o ciclo de crescimento que marcou os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) não superou entraves estruturais, apenas reconfigurou alguns aspectos do nosso subdesenvolvimento.

ROSSI, P. MELLO, G. (2016) Componentes Macroeconômicos e Estruturais da Crise Brasileira: o Subdesenvolvimento Revisitado, Brazilian Keynesian Review, 2 (2), p.252-263

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Apresentação

cover_issue_4_en_usOs governos do Partido dos Trabalhadores (PT) se encerram de forma dramática, com forte retração da atividade econômica em 2015 após alguns anos de desaceleração. Em um contexto de crise política e institucional, os diagnósticos em torno da desaceleração e da queda do PIB nos anos recentes ainda são prejudicados pela falta de distanciamento histórico e por uma acirrada disputa política pela narrativa econômica. Reconhecendo essas limitações, esse ensaio busca contribuir para o debate sobre os diagnósticos da desaceleração econômica no Brasil, incorporando elementos da literatura estruturalista do desenvolvimento ao debate macroeconômico.

Para isso, este trabalho se divide em duas partes, além desta apresentação. A primeira busca resgatar alguns dos principais diagnósticos presentes no debate público e acadêmico acerca da desaceleração que, em geral, enfatizam os erros na condução da política macroeconômica. A segunda parte resgata elementos da literatura estruturalista do desenvolvimento, introduzindo uma análise acerca das mudanças nas estruturas de demanda e produtiva ocorridas no período, que ajudam a explicar as dificuldades de manutenção do crescimento econômico. Por fim, as considerações finais buscam articular as relações entre a macroeconomia e os desafios estruturais, e argumentar que a economia brasileira mantem características típicas do subdesenvolvimento.